quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Exegese e Hermenêutica: Interpretando as Escrituras Sagradas

       Olá, caro(a) leitor(a)! Que a paz esteja com você!

"Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação.
Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo. "

2 Pedro 1:20-21

Ambas as palavras, Exegese e Hermenêutica, são etimologicamente de origem grega. A Exegese significa "extrair do texto, arrancar, tirar para fora do texto o que ele significa." E Hermenêutica significa "interpretar, expor, explicar". Os conceitos das duas palavras são muito parecidos, mas não são exatamente a mesma coisa. Há diferenças. A Exegese tem a função de dar clareza ao texto, analisar o significado de forma objetiva e profunda. A Hermenêutica tem a função de levar em consideração outros detalhes, como o contexto em que está escrito, a época em que foi escrito, o momento histórico, o local e a mentalidade do local e da época, cultura do povo... a Hermenêutica é mais ampla do que a Exegese. 

Se as regras de Exegese e principalmente da Hermenêutica não forem respeitadas tanto pelos pregadores da Bíblia quanto pelos demais leitores, abre-se brechas para as heresias. Existem métodos de se interpretar a Bíblia, e os métodos devem ser respeitado. Exemplos muito simples e óbvios para ajudar a esclarecer.
 Os apóstolos Paulo e Pedro eram da nação judaica, mas se relacionaram com gregos e romanos da época do Império Romano. Eles viveram a quase 2000 anos atrás, aproximadamente. Há coisas que eles aplicaram na época deles que não se aplica mais hoje em dia. Hoje em dia já não existem mais servos e escravos, pelo menos não nas sociedades de formação cristã-ocidental. Como o cristão evangélico brasileiro vai lidar com escravos e servos, se hoje em dia não existem mais? Jesus disse, "se alguém te pedir a tua capa, dá-lhe também a tua túnica", ninguém hoje em dia se veste com túnica e nem com capa. Exceto em caso dos atores em interpretação teatral, novelas ou filmes. Mas no meio social, ninguém mais usa. Existem outros tipos de escravidão, mas não aquela escravidão legalizada daquela época de Jesus e dos apóstolos. 

Nenhuma igreja hoje prega escravidão e nem uso de roupas da época de Jesus, mas infelizmente, há passagens na Bíblia que não são literais que estão sendo tratadas como literais em muitas igrejas cristãs. Nem tudo o que está na Bíblia é para ser interpretado literalmente. Mas muita coisa é para ser interpretada literalmente sim. A Exegese e a Hermenêutica têm a função de ajudar o leitor da Bíblia a discernir o que é literal e o que não é. 

Aqui está um vídeo muito interessante sobre o assunto de Hermenêutica, desejo que você, caro(a) leitor(a), os veja até o fim. 

https://www.youtube.com/watch?v=tZg1iUbAHt0&index=6&list=WL 
https://www.youtube.com/watch?v=JpNisKjyRRU&index=7&list=WL 

Só para evitar qualquer confusão, eu não sou adepto da Cabala. O sistema Pardês de interpretação da Bíblia, eu o quero para ser aplicado só à Bíblia, ao texto bíblico. Eu respeito quem crê e faz uso do Talmude mas, conheço muito pouco do que está escrito no Talmude e, não faço uso dele. Também não faço uso de livros como o Zohar, Sefer Yetisirá, Bahir, e outros livros cabalísticos. Mas eu acredito que a Bíblia, nas suas línguas originais, contém informações importantes que passam despercebidas ao serem traduzidas para outros idiomas. E esse fenômeno acontece com muitos outros livros, é um acidente natural durante o processo de tradução, que é causado pelas diferenças naturais entre as línguas. Por exemplo, a palavra "amor" em grego, tem três traduções: "eros", "filo" e "ágape". A expressão "palavra" tem duas formas em grego, "logos" e "rhema". 
E são as informações contidas nos originais que escapam da percepção ao serem traduzidas para outras línguas que eu desejo obter, quando eu defendo que vale a pena aprender hebraico, aramaico e grego. Os idiomas do mundo antigo, como o hebraico, o grego e o latim, as letras também significavam números. Um exemplo do latim, I=1, V=5, X=10. As letras podem ser convertidas em números, e serem somados, a Bíblia pode ser interpretada também de forma matemática, veja Apocalipse 13:18! 
Não tem nada a ver com numerologia mística, com esoterismo. Não tem nada a ver com ocultismo. É apenas uma forma hebraica de se interpretar as Escrituras, o nível Sod

As Igrejas Evangélicas não conhecem esse método de interpretação Pardês porque não fazem uso da língua hebraica, como as sinagogas judaicas. E porque não sentem necessidade de usar esse método.  Não existe mandamento ordenando que as pessoas aprendam hebraico, nem aramaico e nem grego. E também não existe proibição de aprender. Fica a critério de cada um. Cada pessoa tem o livre-arbítrio para decidir o quanto quer conhecer sobre a Bíblia. A maioria se satisfaz em ler a Bíblia na sua própria língua nacional, no nosso caso, o português. Mas quem quer ler a Bíblia no seu idioma nacional, tem que respeitar as regras de Hermenêutica, tem que levar em consideração contexto em que está escrito, a época em que foi escrito, o momento histórico, o local e a mentalidade do local e da época, cultura do povo. E apesar disso tudo ser objeto de estudo de Teologia, ninguém precisa obrigatoriamente estudar Teologia. É só a pessoa estudar bem a Língua Portuguesa (no caso brasileiro), estudar a História e a Geografia das regiões citadas na Bíblia e a própria Bíblia. 
Mas quem preferir aprender as línguas originais da Bíblia, vai ter oportunidades de aprender mais sobre a Bíblia. Vai do interesse de cada um. Eu considero o método judaico Pardês muito interessante para se interpretar as Escrituras. E eu quero, quando for possível, aprender hebraico, aramaico e grego.  


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